
Sem me querer repetir inúmeras vezes, inúmeras inúmeras vezes, viva a mistura de estilos. Les Baton Rouge é uma nova vertente do termo "New Wave". Talvez porque não os identificamos com o passado, talvez porque o misturem todo, baralhando-o, confundindo-o, gritando-o. Ouvi-los é como entrar num filme de Tarantino. A vontade inicial é a de rejeição, porque temos um punk feminino, um punk louco, que acelera perigosamente o rock 'n' roll ("Somersault"!). Por outro lados, temos mudanças de ritmo, como em "Maria Lamas", os carris da montanha-russa a parar antes de descerem a íngreme rampa que nos levará perto do abismo - demasiado poético para música desta energia e ferocidade. Em "Chloe Yurtz", damos justamente com Tarantino ao nosso lado, a disparar ordens de caos, formando as mais espectaculares cenas. "Speaks through my body" parece levar-nos a uma atmosfera mais contemplativa, quando sem sermos avisados somos levados a uma perseguição mirambolante no meio do deserto. Atrever-me-ia a dizer que este tipo de sonoridade tem uns toques de The New Pornographers, mais blues, mais country, mais negro até, mais punk (e o uso intensivo de harmónicos)!
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